Calibração de UBV: como calcular a vazão a partir da velocidade, da faixa e da dose
Por Equipe técnica Maxmaq · Publicado em · Atualizado em
Qual é a fórmula da vazão do UBV?
A vazão, em mL/min, é a velocidade (km/h) vezes a faixa (m), vezes a dose (L/ha), vezes 1,67. É a equação do SOP de calibração da Innovation to Impact (2018) para pulverizador montado em veículo. O 1,67 só converte unidades.
| Termo | Unidade | O que é |
|---|---|---|
| Velocidade | km/h | Velocidade do veículo durante a aplicação |
| Faixa | m | Distância entre as passadas, a faixa efetiva de aplicação |
| Dose | L/ha | Volume de inseticida por hectare |
| 1,67 | sem unidade | Fator de conversão |
A armadilha mais comum é a dose. A nota técnica escreve 118 mL/ha; na fórmula, entra 0,118 L/ha. Errar isso muda a vazão por um fator de mil.
Como fica com os números do Ministério da Saúde?
Com a Nota Técnica 1/2020-CGARB, o veicular usa 118 mL/ha, 15 km/h e vazão de 70 a 75 mL/min. A nota não informa a faixa. Dá para achar a faixa que fecha a conta. A conta é da Maxmaq, a partir das duas fontes.
Exemplo (cálculo da Maxmaq): vazão média de 72,5 mL/min (meio da faixa de 70 a 75).
- Velocidade × dose × 1,67: 15 × 0,118 × 1,67 = 2,956.
- Faixa = vazão ÷ 2,956 = 72,5 ÷ 2,956 = 24,5 m, cerca de 25 m.
- Prova inversa com 25 m: 15 × 25 × 0,118 × 1,67 = 73,9 mL/min, dentro da faixa do Ministério.
A própria fonte traz um exemplo para conferir o método: 12 km/h, faixa de 50 m e dose de 0,5 L/ha dão 12 × 50 × 0,5 × 1,67, cerca de 500 mL/min.
O mesmo cálculo serve para o costal, com a velocidade em km/h. A nota indica 118 mL/ha, 3,2 km/h e 16 a 20 mL/min. Com 18 mL/min, a conta da Maxmaq dá 18 ÷ (3,2 × 0,118 × 1,67) = 28,5 m. O POP 02 da SES-MG usa 100 mL/ha com o mesmo costal e 3,2 km/h, e manda configurar 20 mL/min; a dose muda, então a faixa da conta muda junto.
Como medir a vazão na prática?
Tire o tubo de descarga do bico, segure-o numa proveta e deixe o líquido correr por 1 minuto. Faça isso três vezes e calcule a média. O SOP da Innovation to Impact detalha o passo a passo:
- Use luvas, macacão, máscara e óculos.
- Ligue o equipamento até as linhas encherem de inseticida.
- Opere nas condições reais: o SOP lembra que a maioria dos equipamentos trabalha em aceleração máxima.
- Solte o tubo do bico, recolha por 1 minuto e leia o volume em mL.
- Repita ao menos 3 vezes e tire a média, com coeficiente de variação abaixo de 10% entre as leituras.
- Devolva o inseticida ao tanque e lave a proveta, que deve ser de uso exclusivo.
Exemplo (valores ilustrativos): leituras de 71, 74 e 72 mL em 1 minuto dão média de 72,3 mL/min, dentro dos 70 a 75 do veicular. A variação entre elas é de cerca de 2%, bem abaixo do limite de 10%.
Em nebulizador a frio de veículo, o jato não pode ser coletado num recipiente. O SOP diz que a maioria desses equipamentos traz um tubo de calibração para encaixar no bico ou permite soltar a mangueira de alimentação. Veja o manual do fabricante.
Qual é o fluxo completo?
O diagrama mostra um ciclo: define-se a dose e a velocidade, calcula-se a vazão, mede-se na proveta três vezes de 1 minuto e compara-se a média com a meta. Se está fora, ajusta-se a bomba dosadora e mede-se de novo; se está dentro, registra-se e libera-se o equipamento.
Quais são os valores de referência?
| Equipamento | Dose | Velocidade | Vazão | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| Veicular pesado | 118 mL/ha | 15 km/h | 70 a 75 mL/min | Nota Técnica 1/2020 (MS) |
| Costal motorizado | 118 mL/ha | 3,2 km/h | 16 a 20 mL/min | Nota Técnica 1/2020 (MS) |
| Costal motorizado, Minas Gerais | 100 mL/ha | 3,2 km/h | 16 a 20 mL/min | POP 02, SES-MG (2024) |
Todos os valores são para o Cielo-ULV, produto pronto para uso, sem diluir. Outro inseticida pede outra conta: o Manual da Funasa (2001) diz que a vazão é regulada de acordo com o inseticida utilizado e a velocidade do veículo.
O que faz a vazão mudar?
Mudam a vazão o inseticida usado, a velocidade do veículo e a temperatura. O Manual da Funasa (2001) liga a regulagem ao produto e à velocidade. O SOP da Innovation to Impact avisa que cada produto tem uma viscosidade diferente em cada temperatura e orienta calibrar numa temperatura próxima à de trabalho. Por isso a medição entra na rotina, e não só na compra do equipamento.
Se a média sai da meta mesmo após o ajuste da bomba dosadora, siga o manual de manutenção do fabricante ou leve o equipamento à manutenção de equipamentos. O tamanho de gota é outro ajuste, tratado em tamanho de gota no UBV.
A velocidade real é a do cálculo?
Quase nunca é igual, e a diferença muda a dose. A Deliberação CIB-SUS/MG 4.732 (2024) prevê o veículo a 10 km/h, com até 15 km/h em trechos curtos de rua inclinada, e vazão de 70 a 75 mL/min. O Manual da Funasa (2001) fixa o teto em 16 km/h.
Exemplo (cálculo da Maxmaq): mantendo 72,5 mL/min e a faixa de 24,5 m, rodar a 10 km/h em vez de 15 km/h dá 72,5 ÷ (10 × 24,5 × 1,67) = 0,177 L/ha, ou 177 mL/ha. São cerca de 50% a mais que os 118 mL/ha. Para manter 118 mL/ha a 10 km/h, a vazão cai para 10 × 24,5 × 0,118 × 1,67, cerca de 48 mL/min.
Duas saídas existem: calibrar para a velocidade que o motorista de fato mantém, ou treinar o motorista para a velocidade da calibração. A nota técnica pede o treino em testes de percurso sempre que necessário. Em contrato, o que vale é a vazão e a velocidade que o órgão de saúde do seu estado definiu. Confirme com a vigilância estadual.
Com que frequência calibrar?
Semanalmente. A tabela de parâmetros da Nota Técnica 1/2020 indica a regulagem da vazão semanalmente para equipamentos pesados e portáteis. A Deliberação de Minas pede o teste de vazão toda semana, contada do início do serviço.
A verificação bimestral que aparece na mesma tabela está na coluna da qualidade das gotas: é para a rotina ou para situações que comprometam a precisão, como acidentes e vias sem pavimento. Quem lê “bimestral” como a frequência da calibração de vazão se engana. Veja como conferir as gotas na aferição de gotas e a operação do veicular em UBV pesado veicular.
Em resumo
- A vazão em mL/min é velocidade × faixa × dose em L/ha × 1,67; cuide da unidade da dose.
- Meça tirando o tubo do bico, recolhendo 1 minuto na proveta, três vezes, com variação abaixo de 10%.
- No veicular, 118 mL/ha e 15 km/h pedem 70 a 75 mL/min, o que corresponde a uma faixa de cerca de 25 m.
- Velocidade menor que a do cálculo eleva a dose: 10 km/h no lugar de 15 km/h dá cerca de 50% a mais.
- Teste de vazão semanal; a verificação bimestral é das gotas.
Para deixar a bomba, as mangueiras e os bicos prontos para a medição, a Maxmaq faz manutenção de equipamentos UBV.
Perguntas frequentes
Como calcular a vazão do UBV?
Multiplique a velocidade (km/h) pela faixa (m), pela dose (L/ha) e por 1,67. O resultado sai em mL/min. Atenção à unidade da dose: 118 mL/ha entra na conta como 0,118 L/ha. Fonte da fórmula: SOP de calibração da Innovation to Impact (2018).
Com que frequência calibrar o UBV?
A Nota Técnica 1/2020 do Ministério da Saúde indica a regulagem da vazão semanalmente para equipamentos pesados e portáteis, e a verificação da qualidade das gotas a cada dois meses. A Deliberação CIB-SUS/MG 4.732/2024 pede teste de vazão semanal nos serviços descentralizados em Minas Gerais.
O que acontece se o veículo andar mais devagar que o previsto?
Com a mesma vazão e a mesma faixa, a dose por hectare sobe. A 10 km/h em vez de 15 km/h, a conta da Maxmaq com os números da nota técnica dá cerca de 50% a mais, 177 mL/ha no lugar de 118 mL/ha. Para manter a dose, a vazão teria de cair para cerca de 48 mL/min.
A temperatura muda a vazão do UBV?
Pode mudar, porque a viscosidade do inseticida varia com a temperatura. O SOP da Innovation to Impact (2018) orienta calibrar a vazão numa temperatura próxima à das condições reais de aplicação. Confira também o manual do equipamento e a ficha do produto.
Fontes
- SOP 3A: Calibration for Backpack and Truck-Mounted Sprayers, Innovation to Impact, 2018
- Nota Técnica 1/2020-CGARB (inseticida Cielo-ULV), Ministério da Saúde (cópia da SES-GO), 2020
- Deliberação CIB-SUS/MG 4.732 (descentralização do UBV), SES-MG, 2024
- POP 02: aplicação espacial com nebulizador motorizado portátil, SES-MG, 2024
- Dengue: instruções para pessoal de combate ao vetor, Ministério da Saúde e Funasa, 2001
