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Arboviroses no Brasil: o que são, quais circulam e como se controla o vetor

Por Equipe técnica Maxmaq · Publicado em · Atualizado em

O que são arboviroses?

Arboviroses são doenças causadas por vírus transmitidos por artrópodes, como mosquitos e maruins. O nome vem do inglês arthropod-borne virus: arbovírus é o vírus, arbovirose é a doença que ele provoca.

O que é um arbovírus?

É um vírus que passa de um animal ou pessoa infectados a outro por meio da picada de um inseto. O mosquito se infecta ao picar alguém com o vírus no sangue e, depois de um período, transmite o vírus nas picadas seguintes. Por isso o vetor, e não só o doente, entra no centro da estratégia de controle.

Este texto trata de vigilância e controle do vetor. Para sintomas, diagnóstico e tratamento, a referência é o Ministério da Saúde.

Quais arboviroses circulam no Brasil?

Quatro merecem atenção do gestor de vigilância no dia a dia: dengue, chikungunya, Zika e Oropouche. A febre amarela completa o quadro como arbovirose de ciclo silvestre.

DoençaVetorOnde se atua
DengueAedes aegyptiCriadouros urbanos, larvicida e, em emergência, aplicação espacial
ChikungunyaAedes aegyptiMesmo conjunto de ações da dengue
ZikaAedes aegyptiMesmo conjunto de ações da dengue
OropoucheMaruim (Culicoides paraensis)Criadouros do maruim e proteção individual
Febre amarela (ciclo silvestre)Haemagogus e SabethesVacinação

Dengue

O Ministério da Saúde identifica a fêmea do Aedes aegypti como transmissora da dengue. A doença circula nas cidades, onde o mosquito encontra água parada em depósitos domésticos. Os quatro sorotipos já foram registrados no país, com predomínio do DENV2 e expansão do DENV3 em 2026, segundo a Nota Informativa 10/2026 do Ministério.

Chikungunya

O Ministério da Saúde informa que o vetor do vírus chikungunya é o Aedes aegypti. Como o vetor é o mesmo, as ações de campo se sobrepõem às da dengue.

Zika

O Ministério trata a Zika, junto com a chikungunya, como outra arbovirose urbana ligada ao mesmo vetor da dengue. O controle do Aedes aegypti atua sobre as três doenças ao mesmo tempo.

Oropouche

O vetor principal é o maruim, e a OPAS cita o Culicoides paraensis. Não é o Aedes. A recomendação da OPAS é eliminar os criadouros do maruim, removendo ervas daninhas, e usar mosquiteiros, roupas de proteção e repelentes com DEET, IR3535 ou icaridina. O texto da OPAS não cita aplicação espacial.

Febre amarela

É uma arbovirose de ciclo silvestre no Brasil, transmitida por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. O ciclo urbano, pelo Aedes aegypti, não ocorre no país desde 1942, e a vacina é a principal ferramenta de prevenção, segundo o Ministério da Saúde.

Quando a transmissão aumenta?

A dengue sobe principalmente entre outubro de um ano e maio do ano seguinte, segundo o Ministério da Saúde. Chuva e calor favorecem o mosquito e aumentam a oferta de criadouros.

Para 2026/2027 há um alerta específico. A Nota Informativa 10/2026, assinada em 05/07/2026, avisa que o El Niño moderado a forte previsto para o segundo semestre pode elevar as arboviroses. O texto lembra que, nos eventos de 2015/2016 e 2023/2024, o Brasil teve grandes epidemias.

A mesma nota traz a projeção do InfoDengue/Fiocruz: cerca de 1,7 milhão de casos suspeitos de dengue em 2027, numa faixa de 1.037.068 a 5.604.927. Com descarte médio de 40%, seriam cerca de 1 milhão de casos prováveis. A nota ressalva que modelos têm limitações e serão atualizados.

Atenção: a projeção é um cenário, não uma previsão fechada. Use-a para antecipar estoque, equipe e manutenção de equipamentos, não para dimensionar a meta de casos.

Quais os números recentes no Brasil e no mundo?

Em 2024 houve recorde: a OMS reporta mais de 14,6 milhões de casos de dengue e mais de 12 mil mortes no mundo, em mais de 100 países. O Brasil registrou 6,4 milhões de casos prováveis e 6 mil óbitos no ano, segundo o Ministério da Saúde (Agência Brasil, 09/01/2025).

Os anos seguintes mostram queda, com ressalvas por região:

PeríodoDoençaCasosVariaçãoFonte
Semanas 1 a 23 de 2025Dengue1.478.752 prováveis e 1.165 óbitosqueda de 75,7%Informe Semanal 17/2025
Semanas 1 a 23 de 2025Chikungunya102.259 prováveisqueda de 56,6%Informe Semanal 17/2025
Semanas 1 a 23 de 2025Oropouche11.564 confirmadosalta de 59,9%Informe Semanal 17/2025
Até 23/03/2026Dengue164.956 prováveis e 44 óbitosqueda de 77%Atualização SVSA 2026
Semanas 1 a 24 de 2026Dengue392.816 prováveis e 225 óbitos confirmadosqueda de 73%Nota Informativa 10/2026
Semanas 1 a 24 de 2026Chikungunya55.966 prováveis e 43 óbitos confirmadosqueda de 46%Nota Informativa 10/2026

Os dois últimos números de 2026 vêm do documento mais recente e valem sobre os da atualização de março, que cobre menos semanas. A própria nota ressalva que, embora o cenário não seja de epidemia generalizada, a concentração de chikungunya em áreas específicas exige monitoramento.

Sobre a Oropouche, a OPAS informa 11.888 casos confirmados no Brasil até 27/07/2025, com 5 óbitos, concentrados no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.

Na prática: queda no ano anterior não dispensa preparo. As duas notas do Ministério tratam o risco de 2026/2027 como real, e a temporada começa em outubro.

Como se controla o vetor?

O Ministério da Saúde afirma que o controle do vetor Aedes aegypti é o principal método de prevenção e controle da dengue. Na prática, é um ciclo: vigiar, decidir, agir em várias frentes e avaliar o resultado.

Fluxo do controle do vetor: a vigilância (casos, LIRAa e ovitrampas) alimenta a decisão pelo estágio do plano de contingência, que aciona quatro frentes e volta à avaliação dos índices

O diagrama parte da vigilância (casos notificados, LIRAa e ovitrampas) até a decisão sobre o estágio do plano de contingência. Dali saem quatro frentes: eliminação de criadouros, larvicida e novas tecnologias, aplicação espacial em bloqueio de casos e comunicação com a população. Todas convergem para a avaliação dos índices e dos casos, que realimenta a vigilância.

Eliminação de criadouros

É a base. Tampar, esvaziar e destinar depósitos que acumulam água corta o mosquito na origem. A Nota Informativa 10/2026 pede ênfase na eliminação de depósitos, principalmente no período intersazonal, com envolvimento de educação, meio ambiente, defesa civil e assistência social.

Vigilância entomológica: LIRAa e ovitrampas

A vigilância diz onde agir primeiro. A mesma nota orienta reorganizar a rotina dos agentes de combate às endemias pela estratificação de risco dentro do município e pela positividade das ovitrampas. Os métodos estão em LIRAa e índice de Breteau e em ovitrampas.

Controle químico: larvicidas e aplicação espacial (UBV) em bloqueio

O larvicida atua nos depósitos que não dá para eliminar. A aplicação espacial a ultra baixo volume atua no mosquito adulto, e o escopo dela é restrito. A Nota Técnica 15/2023-CGARB indica o uso “apenas em situações emergenciais para bloqueio de casos”, quando as demais alternativas foram insuficientes.

A Nota Informativa 10/2026 reforça o bloqueio de transmissão assim que surgem as primeiras notificações e pede estoque contínuo de larvicidas e adulticidas, para não interromper as ações. O detalhe do que o fumacê faz e não faz está em o fumacê funciona?.

Atenção: UBV é complemento ao trabalho de criadouros e larvicida. Tratá-lo como medida de rotina contraria a orientação do Ministério.

Novas tecnologias no plano do Ministério da Saúde

O plano de ação 2024/2025 tem seis eixos: prevenção, vigilância, controle vetorial, rede assistencial e manejo clínico, resposta a emergências e comunicação com participação comunitária. No eixo de controle vetorial aparecem as estações disseminadoras de larvicida em áreas vulneráveis, a ampliação da borrifação residual intradomiciliar, o método Wolbachia e o uso de insetos estéreis em aldeias indígenas.

O Ministério anunciou, em janeiro de 2025, 150 mil estações disseminadoras na fase inicial e a expansão do Wolbachia de 3 para 40 cidades. Para o ciclo 2026/2027, a Nota Informativa 10/2026 mantém a borrifação residual em imóveis de grande circulação de pessoas, nos termos da NT 37/2023. Essas tecnologias somam ao manejo de criadouros, sem substituí-lo. O quadro integrado está em manejo integrado de vetores.

Qual o papel do município e do estado?

Município e estado decidem o que fazer e quando. Cabe a eles estratificar o risco, manter a vigilância entomológica, ter plano de contingência e garantir insumos e equipamentos prontos antes da temporada.

A Nota Informativa 10/2026 dirige a vigilância epidemiológica a notificar e investigar os casos em tempo oportuno, avisar as equipes de controle vetorial para o bloqueio e acompanhar a curva epidêmica pelo diagrama de controle. Os óbitos suspeitos ou confirmados são de notificação imediata, em até 24 horas. As decisões por estágio estão em plano de contingência para arboviroses e a ação de campo sobre casos em bloqueio de transmissão.

Checklist de preparação antes de outubro, derivado das recomendações da nota:

  • Estratificar o risco do município e definir áreas prioritárias.
  • Conferir o estoque de larvicida e de adulticida.
  • Revisar e testar os equipamentos de aplicação antes da temporada.
  • Alinhar com educação, meio ambiente e defesa civil as ações sobre depósitos.
  • Combinar o fluxo entre notificação de caso e equipe de bloqueio.

Onde a Maxmaq entra?

A Maxmaq atua na ponta de equipamentos e aplicação: manutenção, peças, locação e aplicação de equipamentos UBV para controle de vetores, com matriz em Belo Horizonte desde 1992. O trabalho dela começa depois da decisão do gestor, quando o bloqueio exige máquina calibrada e pronta.

Em resumo

  • Arbovirose é doença de vírus transmitido por artrópode. Dengue, chikungunya e Zika vêm do Aedes aegypti, e a Oropouche vem do maruim, com controle e proteção diferentes.
  • A transmissão da dengue sobe principalmente de outubro a maio, e o Ministério da Saúde alertou, em julho de 2026, para o risco do El Niño na temporada 2026/2027.
  • Controlar o vetor é o principal método de prevenção da dengue, e a base é eliminar criadouros apoiada em vigilância entomológica.
  • A aplicação espacial (UBV) fica para bloqueio de casos em situação emergencial, depois de esgotadas as demais alternativas.
  • Antes da temporada, confira insumos, equipamentos e o fluxo entre notificação de caso e equipe de campo.

Para apoio no controle do Aedes aegypti com equipamentos prontos para a temporada, veja os serviços de controle do Aedes da Maxmaq.

Perguntas frequentes

Quais são as arboviroses mais comuns no Brasil?

Dengue, chikungunya e Zika, transmitidas pelo Aedes aegypti. A febre Oropouche, transmitida pelo maruim, cresceu em 2025: o Ministério da Saúde confirmou 11.564 casos entre as semanas epidemiológicas 1 e 23, alta de 59,9% sobre 2024. A febre amarela silvestre também é uma arbovirose e tem a vacina como principal prevenção.

Qual mosquito transmite dengue, chikungunya e Zika?

O Aedes aegypti. O Ministério da Saúde descreve a dengue como transmitida pela fêmea desse mosquito e trata chikungunya e Zika como outras arboviroses urbanas ligadas ao mesmo vetor.

Quando começa a temporada de dengue?

A transmissão aumenta principalmente entre outubro de um ano e maio do ano seguinte, segundo o Ministério da Saúde. Por isso o planejamento de campo, os estoques e a manutenção dos equipamentos precisam estar prontos antes de outubro.

O fumacê previne a dengue?

Não como medida de base. O Ministério da Saúde indica a aplicação espacial a ultra baixo volume apenas em situações emergenciais, para bloqueio de casos, quando as outras alternativas de controle foram insuficientes. A base continua sendo eliminar criadouros e vigiar o vetor.

A Oropouche é transmitida pelo Aedes?

Não. O vetor principal é o maruim (Culicoides paraensis). A OPAS recomenda eliminar os criadouros do maruim e usar proteção individual, como mosquiteiros, roupas de proteção e repelentes.

Fontes

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