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Tamanho de gota no UBV: o que é DMV, qual a faixa certa e como aferir

Por Equipe técnica Maxmaq · Publicado em · Atualizado em

O que é DMV e por que ele decide a aplicação?

DMV é o diâmetro mediano volumétrico, também chamado Dv0,5 ou VMD. É o número que divide o volume pulverizado em duas metades: uma em gotas menores, outra em gotas maiores (OMS, 2003).

O DMV mede volume, não quantidade de gotas: poucas gotas grandes o puxam para cima, e ele não mostra a dispersão. Por isso o guia da OMS cita também a amplitude (span, ideal abaixo de 2).

A razão é física e está na tabela do guia da OMS para 1 L/ha:

Tamanho da gotaTempo para cair 10 m (ar parado)Gotas por cm³ de ar
10 µm56 minutos19,2
20 µm14 minutos2,38
50 µm135 segundos0,150
100 µm36 segundos0,0192

Fonte: OMS, 2003, modelo teórico.

Na prática: dobrar o diâmetro da gota reduz o número de gotas em oito vezes, segundo a OMS (2003). Gota grande cai antes de encontrar o mosquito; gota muito pequena, abaixo de 5 µm, quase não encosta no inseto em voo.

Qual é a faixa certa de gota?

Para o Cielo-ULV, a Nota Técnica 1/2020 do Ministério da Saúde recomenda que cerca de 80% das gotas fiquem entre 15 e 20 µm. Vale para o equipamento veicular pesado e para o costal motorizado.

Outras fontes dão faixas próximas, para outros produtos e contextos:

FonteFaixaObservação
Nota Técnica 1/2020, Ministério da Saúde15 a 20 µm, cerca de 80% das gotasCielo-ULV
Deliberação CIB-SUS/MG 4.732/2024DMV entre 15 e 20 µm para 80% das gotasTeste com vazão de 70 a 75 mL/min e 15 km/h
OMS, 200310 a 20 µm para mosquitos; 10 a 30 µm de forma geralGuia de aplicação espacial
Hoffmann et al., 20088 a 20 µm de Dv0,5Os autores citam a OMS de 2006; rótulos de produtos trazem limites próprios

Trocou o inseticida, confira a faixa da ficha técnica antes de aferir.

Atenção: a nota técnica diz “80% das gotas entre 15 e 20 µm”, e a deliberação mineira diz “DMV entre 15 e 20 µm para 80% das gotas”. São duas medidas diferentes, uma por percentual e outra por mediana. Pergunte ao fiscal qual delas o laudo deve comprovar; o mais seguro é apresentar as duas.

Como se mede a gota?

Há três famílias de método. A escolha depende do que o edital aceita e da formulação.

MétodoComo funcionaQuando serveLimite
Sonda de fio quenteFio muito fino aquecido, colocado na névoa; mede as gotas que o atingemAferição periódica de nebulizador a frio, em campo ou oficinaNão serve para termonebulizador; a sonda se lava com solvente entre leituras (OMS, 2003)
Difração a laserFeixe de laser atravessa a névoa e o padrão de luz dá o espectroEstudo detalhado e comparação entre bicosInstrumento caro, de laboratório, não usado para checagem em campo (OMS, 2003)
Lâmina ou cartãoA gota é coletada e medida ao microscópio ou por softwareQuando não há equipamento modernoExige fator de espalhamento; pode divergir do laser

Fio quente

A OMS descreve a técnica como rápida e conveniente. Opera-se o pulverizador um tempo antes de amostrar, para que partículas sólidas não danifiquem o fio. Minas Gerais cita um equipamento específico (DC-IV) como forma preferencial de fazer o teste de gota, segundo a Deliberação 4.732/2024.

Laser

No estudo de 2008, o laser media gotas de 0,5 a 875 µm, com a lente usada. A faixa muda com o instrumento.

Lâmina e cartão

A lâmina com óxido de magnésio serve a todas as formulações, inclusive as aquosas; as de Teflon ou silicone são usadas para formulações oleosas, não voláteis. A OMS informa que a cratera no óxido de magnésio é 1,15 vez maior que a gota, e o inverso desse fator de espalhamento corrige a medida.

Em termonebulizadores, um estudo com 11 equipamentos encontrou que as medidas com lâmina não coincidiram de forma consistente com as do laser e não recomendou o método sem estudo adicional. O estudo não testou UBV a frio, então a conclusão não se estende a ele sem ressalva.

Minas Gerais aceita também papel hidrossensível, em cartões, com análise manual ou por software.

Quando aferir a gota?

Depende de quem pede. Cada fonte tem um gatilho:

FonteGatilho
Nota Técnica 1/2020, Ministério da SaúdeVerificação bimestral na rotina, ou após acidente, via sem pavimento e outras situações que comprometam a precisão
Deliberação CIB-SUS/MG 4.732/2024Teste de gota “bimensalmente”, a contar do início das atividades do contrato; espectro de gota e vazão com no máximo 30 dias antes do início da operação
OMS, 2003A cada 50 a 100 horas de uso ou após longo período sem uso; e amostra de gotas a cada troca de inseticida ou mudança relevante de condição

Em Minas, os documentos também se repetem após uso em terreno com muitas irregularidades, quando o consumo de inseticida (vazão) muda ou quando a SES-MG indicar, e devem ser assinados por responsável técnico com registro ativo em conselho de classe.

A vazão segue outro ritmo. A mesma tabela da nota técnica pede a regulagem semanal para equipamentos pesados e portáteis; a verificação bimestral é só da qualidade das gotas. A conta está em calibração de UBV.

Fluxograma de aferição: decide-se aferir, mede-se a vazão e as gotas, e o equipamento é liberado com laudo ou ajustado e medido de novo

O fluxograma parte da decisão de aferir, a partir de gatilhos como horas de uso, parada prolongada ou prazo do Ministério da Saúde. Em seguida mede-se a vazão e depois as gotas. Se o DMV e o percentual estiverem na faixa de 15 a 20 µm, emite-se o laudo e libera-se o equipamento. Se não, ajustam-se pressão, bico e vazão, e o ciclo recomeça pela vazão.

O que pedir no laudo de aferição?

Este checklist é recomendação da Maxmaq, não exigência de norma.

  • Data da medição, equipamento (marca, modelo e número de série) e inseticida usado.
  • Vazão medida, em mL/min, e velocidade de referência. Para o veicular com Cielo-ULV, a nota técnica indica 70 a 75 mL/min a 15 km/h.
  • Pressão de operação. O POP 03 de Minas manda ajustar a aceleração para que o compressor opere a 6 psi.
  • Temperatura do inseticida. A OMS pede reajustar a vazão de formulações viscosas quando a temperatura varia 5 °C ou mais.
  • Método e instrumento de medição, com o fator de espalhamento, se for lâmina.
  • DMV e percentual de gotas entre 15 e 20 µm, com a curva de distribuição, não só o número final.
  • Assinatura do responsável técnico, quando o edital ou a SES exigir.

Exemplo de cláusula: “A contratada apresentará laudo de aferição do espectro de gotas e da vazão, com DMV e percentual de gotas entre 15 e 20 µm, método e instrumento utilizados, emitido no máximo 30 dias antes do início das atividades e repetido a cada dois meses.” Modelo da Maxmaq, a ajustar ao edital e à orientação da secretaria estadual.

Em resumo

  • DMV divide o volume ao meio; sozinho não mostra a dispersão, então o laudo precisa do percentual na faixa.
  • Para o Cielo-ULV, a referência é de 15 a 20 µm para cerca de 80% das gotas (Ministério da Saúde, 2020).
  • Vazão se regula toda semana; as gotas se verificam a cada dois meses, e Minas pede espectro e vazão até 30 dias antes de começar.
  • Fio quente, laser e lâmina medem de formas diferentes; defina o método no edital.
  • Gota fora da faixa tira o produto do ar na altura do mosquito, como mostra o artigo o fumacê funciona? e a rotina do UBV pesado veicular.

A Maxmaq faz a aferição de gotas com laudo, e a manutenção do equipamento cobre o ajuste de pressão, bico e vazão.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho ideal de gota no UBV?

Para o Cielo-ULV, a Nota Técnica 1/2020 do Ministério da Saúde recomenda que cerca de 80% das gotas fiquem entre 15 e 20 µm.

O que é DMV?

É o diâmetro mediano volumétrico, também escrito Dv0,5 ou VMD. Divide o volume pulverizado em duas metades: uma em gotas menores que o DMV, outra em gotas maiores. Ele não mostra a dispersão, por isso o laudo traz também o percentual na faixa.

Com que frequência aferir as gotas?

O Ministério da Saúde pede verificação bimestral na rotina, ou após situações que comprometam o equipamento, como acidente e via sem pavimento. Minas Gerais exige o teste de gota bimensalmente e a análise do espectro de gota com no máximo 30 dias antes do início da operação. A OMS indica medir a cada 50 a 100 horas de uso e após longo período parado.

A calibração da vazão e a aferição de gota são a mesma coisa?

Não. A vazão mede quantos mL/min saem pelo bico e se regula toda semana, conforme a Nota Técnica 1/2020. A aferição mede o tamanho das gotas e tem outra periodicidade. Há equipamento com vazão certa e gota fora da faixa.

Qual método de medição usar?

A sonda de fio quente é rápida e portátil, e a OMS a indica para nebulizadores a frio. O laser é instrumento de laboratório. A lâmina serve na falta de equipamento moderno e exige o fator de espalhamento. O edital deve dizer o método aceito.

Fontes

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