Controle Biológico de Pragas: O que é e para quem funciona

AgronegócioPest Control · Atualizado em

Para ter o manejo integrado completo, do projeto ao relatório, veja manejo integrado de vetores e pragas.

Toda espécie tem quem se alimente dela em algum ponto da vida. Esses organismos são os inimigos naturais, e a regulação que eles exercem sobre a população de uma praga é o controle biológico.

Segundo a Embrapa, o fenômeno acontece naturalmente em qualquer ecossistema, sem ação humana. O ser humano pode apenas interferir, manipular e facilitar o trabalho desses agentes.

Neste artigo você vê o que é o controle biológico, os tipos, as vantagens, os cuidados e como ele aparece no controle de mosquitos.

Saiba mais sobre o controle biológico

“Praga” é qualquer espécie que cause dano à atividade humana, como as que atacam lavouras ou transmitem doenças. Entre os inimigos naturais, estão:

  • insetos e aranhas;
  • vírus, fungos e bactérias;
  • peixes, anfíbios e répteis;
  • aves e mamíferos.

O termo “controle biológico” foi proposto em 1919 pelo pesquisador Harry Smith, da Universidade da Califórnia, e a Embrapa registra que o uso de predadores e parasitoides contra insetos-praga é conhecido há milhares de anos. Um dos registros mais antigos é o de formigas predadoras em pomares de citros na China.

O primeiro grande sucesso moderno foi na Califórnia. A joaninha Rodolia cardinalis foi levada da Austrália para combater a cochonilha-australiana (Icerya purchasi, conhecida como pulgão-branco), que ameaçava os pomares de citros. Segundo a Embrapa, dois anos após a liberação a praga estava controlada em todo o estado.

Definição dos controladores biológicos

Os agentes de controle biológico se dividem em três grupos principais.

Parasitoides

Desenvolvem-se dentro ou fora de um único hospedeiro e o matam no fim do ciclo, antes que ele se reproduza. Um exemplo brasileiro é o Ageniaspis citricola, vespa trazida da Flórida em 1998 contra a mosca-minadora-dos-citros. Em 2004, a Embrapa registra o parasitoide estabelecido em todas as áreas citrícolas do país.

Predadores

São organismos de vida livre que matam suas presas e, em geral, não dependem de uma só presa para completar o ciclo. Joaninhas, aranhas, peixes e gaviões são predadores.

Patógenos

São microrganismos, como fungos, vírus e bactérias, que se multiplicam no hospedeiro e causam doença. Os produtos feitos com eles são chamados de biopesticidas ou bioinseticidas.

Tipos de controle biológico

A Embrapa descreve três estratégias de manejo, além do controle que ocorre sozinho na natureza.

TipoComo funcionaQuem executa
NaturalInimigos naturais já presentes mantêm a praga em nível equilibradoNinguém: acontece no ecossistema
ClássicoImportação de inimigos naturais de uma praga exótica, depois de quarentena e avaliação de riscoÓrgãos de pesquisa e governo
ConservativoManejo da área para preservar e ampliar os inimigos naturais, com refúgio e alimento alternativoProdutor
Aumentativo (aplicado)Criação em larga escala e liberação em massa do agenteProdutor, com produto de biofábrica

No aumentativo, a liberação pode ser inoculativa (o agente se reproduz no campo por algumas gerações) ou inundativa (muitos indivíduos de uma vez, para efeito imediato, sem esperar que se estabeleçam). A inundativa é a mais comum com microrganismos e tem ação rápida, como a de um inseticida convencional.

Na prática: os textos mais antigos falam em controle “artificial” e “aplicado”. Hoje a Embrapa organiza as estratégias em clássico, conservativo e aumentativo.

Vantagens do controle biológico

Quando comparado ao uso de agrotóxicos de amplo espectro, o controle biológico oferece:

  • menor exposição de produtores e técnicos a agrotóxicos;
  • em geral, menos resíduo nos alimentos e menor risco de poluição ambiental;
  • alternativa para pragas que já resistem a inseticidas;
  • apelo junto ao público que prefere produtos com menos agrotóxicos.

O mercado cresce. Segundo a Embrapa, que cita estudo de van Lenteren e colaboradores, mais de 440 espécies de agentes de controle biológico estão disponíveis no mundo e são aplicadas em mais de 30 milhões de hectares.

Para ter o manejo integrado completo, do projeto ao relatório, veja manejo integrado de vetores e pragas.

Riscos e cuidados do controle biológico

Não é um método sem condição de uso. Para dar certo, os inimigos naturais precisam encontrar ambiente e recursos para se manter e se multiplicar.

O produtor pode, por exemplo, oferecer pólen e néctar no início do ciclo da lavoura. Isso ajuda os predadores a se estabelecerem antes que a praga apareça.

Há um segundo cuidado: espécie introduzida pode atingir organismos que não eram o alvo. Por isso o controle clássico exige quarentena e avaliação de risco em laboratório credenciado pelo governo.

Atenção: controle biológico não é sinônimo de “sem regra”. No Brasil, a Lei 15.070/2024 exige registro dos bioinsumos produzidos ou vendidos com fins comerciais. A produção para uso próprio, na propriedade, é isenta de registro, mas deve seguir as boas práticas do órgão federal de defesa agropecuária.

Como são realizadas as pesquisas de controle biológico?

Os cientistas reproduzem em laboratório as relações entre os seres vivos, em três etapas:

  1. Levantamento: coleta de inimigos naturais no ambiente.
  2. Seleção: isolamento, identificação, caracterização e avaliação da eficiência. O organismo precisa se comportar como bom agente de controle.
  3. Produto: fabricação de produtos à base do agente e avaliação de eficiência em campo e de segurança biológica, às vezes em parceria entre instituições públicas e privadas.

O manejo é feito com cautela, para não prejudicar os inimigos naturais que já existem no local.

Como saber se os inimigos naturais são seguros para pessoas e meio ambiente?

Os pesquisadores testam o potencial do organismo de causar doença nos organismos-alvo (a praga) e nos não-alvo, que incluem pessoas, animais e outros insetos. Só passa quem não oferece risco, conforme a Embrapa.

O controle biológico é uma boa alternativa, mas não a única, para controlar pragas. Ele funciona melhor combinado a outras medidas.

Controle biológico contra mosquitos

Quem trabalha com pragas em prédios e cidades encontra o mesmo raciocínio no manejo integrado urbano, que combina o controle biológico com monitoramento e controle químico só quando preciso. A comparação entre MIV, MIP e MIA está em MIV, MIP e MIA: qual a diferença.

O raciocínio vale para vetores de doenças. No manual operacional de manejo de fontes larvárias, a OMS separa o tratamento do criadouro em larvicidas e controle biológico, e o descreve como a introdução de inimigos naturais em ambientes aquáticos bem definidos.

AgenteComo atuaO que a evidência diz
Bti (Bacillus thuringiensis var. israelensis)Proteínas da bactéria rompem o intestino da larvaA OMS indica risco essencialmente nulo para ambiente e saúde quando bem fabricado e aplicado. Retratamento típico a cada 7 a 10 dias, segundo o manual da OMS
Peixes larvófagosPredam larvas em poços, tanques e reservatóriosA OMS vê custo-efetividade em alguns locais, mas diz que a eficácia não está bem estabelecida e que espécie exótica pode desequilibrar o ecossistema
WolbachiaBactéria em Aedes aegypti bloqueia o desenvolvimento do vírus no mosquitoAdotada pelo Ministério da Saúde em cidades prioritárias; em Niterói, os casos de dengue caíram 69%, segundo o Ministério da Saúde

A OMS trata o Bti como larvicida bacteriano, à parte do controle biológico por predadores. Ele nasce de um organismo vivo, por isso aparece aqui.

A Wolbachia é um caso diferente: o mosquito liberado se reproduz com os selvagens e, com o tempo, a proporção de mosquitos com a bactéria aumenta. O Ministério da Saúde informa que a maior biofábrica do mundo foi inaugurada em Curitiba em 2025, com capacidade de 100 milhões de ovos por semana.

Nem tudo que parece biológico é. A estação disseminadora de larvicida leva piriproxifeno, um larvicida sintético, e não um inimigo natural. A fêmea só o transporta.

Na prática: controle biológico é uma peça, não a solução inteira. O manejo integrado de vetores combina vigilância, manejo ambiental, novas tecnologias e controle químico, conforme o risco de cada área.

Para saber como a Maxmaq atua no controle de Aedes, veja os serviços de controle de Aedes.

Perguntas frequentes

O que é controle biológico de pragas?

É a regulação de uma população, de plantas ou de animais, por inimigos naturais. Esses agentes são predadores, parasitoides, parasitas, competidores e patógenos como fungos, vírus e bactérias. A Embrapa lembra que o fenômeno ocorre naturalmente em qualquer ecossistema e que o ser humano pode manipulá-lo para suprimir uma praga.

Quais são os tipos de controle biológico?

A Embrapa descreve três estratégias de manejo: importar inimigos naturais (clássico), preservá-los na lavoura (conservativo) e criá-los em grande número para liberar (aumentativo, também chamado de aplicado). Além delas, existe o controle natural, que acontece sem intervenção humana.

Controle biológico funciona contra o Aedes aegypti?

Depende do agente. O larvicida bacteriano Bti é usado em larvicidagem, e a OMS o considera de risco essencialmente nulo quando bem fabricado e aplicado. Para peixes larvófagos, a OMS diz que a eficácia não está bem estabelecida. O método Wolbachia é adotado pelo Ministério da Saúde em cidades prioritárias.

Controle biológico dispensa o uso de produtos químicos?

Nem sempre. A própria OMS observa que predadores naturais podem manter a população de larvas baixa sem eliminá-la, e que larvicidas podem ser necessários. Na lavoura, o controle biológico entra como parte do manejo integrado de pragas, combinado com outras medidas.

Fontes