Doenças causadas por micro-organismos

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Presentes em todos os ambientes e superfícies não estéreis, os micro-organismos são invisíveis a olho nu. Alguns podem causar doenças graves e até letais.
Este texto reúne exemplos de doenças infecciosas por tipo de agente e mostra como cada uma costuma ser transmitida. É informativo: diagnóstico e tratamento são sempre com o serviço de saúde.
O diagrama liga cada tipo de agente às vias pelas quais ele chega à pessoa. Vírus chegam por gotículas no ar (catapora), por contato com sangue e fluidos (HIV) e por vetores (dengue, febre amarela). Bactérias chegam pelo ar (meningite), pela água e pelos alimentos (salmonelose, leptospirose) e pelo contato prolongado (hanseníase). Fungos chegam principalmente pelo ar (aspergilose, criptococose). Protozoários, como os da malária e da doença de Chagas, chegam por vetores.
Panorama geral das doenças provocadas por micro-organismos
Doenças infecciosas são causadas por bactérias, vírus, fungos e protozoários. Segundo a Organização Mundial da Saúde, as infecções respiratórias baixas estão entre as 10 principais causas de morte no mundo, com 2,7 milhões de mortes em 2023.
Muitos micro-organismos vivem no corpo humano sem causar mal, e alguns até ajudam. Sob certas condições, porém, podem prejudicar.
As vias de transmissão variam:
- de pessoa para pessoa;
- por insetos e outros animais, os vetores;
- por água e alimentos contaminados;
- por exposição ao ambiente.
Infecções leves podem passar com repouso e cuidados em casa. Outras são graves e exigem internação. Algumas, como sarampo e catapora, podem ser prevenidas por vacinas.
Para começar, alguns conceitos relevantes
- Patógeno: micro-organismo com potencial para causar doenças.
- Infecção: invasão e multiplicação de micro-organismos patogênicos em um indivíduo ou população.
- Doença: quando a infecção causa danos às funções ou sistemas vitais do indivíduo.
Para causar infecção, o micro-organismo precisa entrar no corpo, mesmo que superficialmente, como na pele. O local de entrada se chama porta de entrada. As principais são:
- Trato respiratório (boca e nariz): por exemplo, o vírus influenza, que causa a gripe.
- Trato gastrointestinal (boca): por exemplo, Salmonella sp., que causa salmonelose.
- Trato urogenital: por exemplo, Escherichia coli, que causa cistite.
- Quebras na superfície da pele: por exemplo, Clostridium tetani, que causa o tétano.
Veja também: luvas cirúrgicas e luvas de procedimentos: quando usar cada uma.
Doenças causadas por bactérias
Veja alguns exemplos, com agente causador, sinais e sintomas e formas de prevenção. Em todos os casos, o tratamento é definido pelo serviço de saúde.
Leptospirose, causada por Leptospira interrogans
Infecção potencialmente séria, transmitida por contato com água ou lama contaminadas pela urina de animais infectados, principalmente ratos. Segundo o Ministério da Saúde, a bactéria entra pela pele com ferimentos, por imersão prolongada em água ou pelas mucosas.
Os sintomas aparecem de 1 a 30 dias após a exposição, normalmente entre 7 e 14 dias. A fase inicial traz febre, dor de cabeça, dores musculares intensas (em especial nas panturrilhas), náusea e vômito. Na fase tardia, parte dos casos evolui para formas graves, com icterícia, comprometimento dos rins e hemorragias.
O tratamento é com antibióticos, sob acompanhamento médico. A prevenção inclui:
- saneamento básico e destino correto do lixo;
- controle de roedores;
- evitar contato com água e lama de enchentes;
- usar botas e luvas ao manusear material contaminado;
- tratar a água de beber (filtrada, fervida ou clorada).
Hanseníase, causada por Mycobacterium leprae
Uma das doenças mais antigas da humanidade, ainda um problema de saúde pública no Brasil. Atinge principalmente a pele e os nervos periféricos e pode causar lesões neurais e incapacidades.
Os sinais mais frequentes são manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas, com perda ou alteração da sensibilidade ao calor, ao frio, ao tato e à dor. Podem aparecer nas mãos, nos pés, na face, nas orelhas, no tronco, nas nádegas e nas pernas.
O tratamento é com antibióticos, sob indicação médica, e deve começar o quanto antes: ele detém a progressão da doença e evita a transmissão. O diagnóstico precoce e o exame de quem convive ou conviveu de forma prolongada com o paciente também fazem parte da prevenção.
Meningite bacteriana, causada por vários tipos de bactérias
A meningite é a inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. O quadro é grave e pede atendimento médico rápido.
Os sintomas incluem início súbito de febre, dor de cabeça e rigidez no pescoço. Também podem ocorrer mal-estar, náusea, vômito, sensibilidade à luz e confusão mental. Nos casos graves aparecem convulsões, delírio e coma.
A transmissão é principalmente de pessoa a pessoa, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. Há vacinas contra as principais causas de meningite bacteriana. Evitar aglomerações e manter os ambientes ventilados e limpos também ajuda.
Salmonelose, provocada por Salmonella enterica e Salmonella bongori
Causa intoxicação alimentar e, em alguns casos, infecções graves. A transmissão se dá pela ingestão de alimentos contaminados com fezes de animais, como aves, porcos, répteis, bovinos e animais de estimação. Qualquer alimento de origem animal, ou que tenha tocado nessas fezes, pode ser via de transmissão.
Os sinais são diarreia, vômitos, febre, dor abdominal, mal-estar, perda de apetite e calafrios. Parecem com outros problemas gastrointestinais, e o diagnóstico é confirmado por exames. Em geral o tratamento não exige internação, mas deve ter acompanhamento profissional.
A prevenção vale para toda a cadeia alimentar, da produção ao consumo, e em casa depende de hábitos simples:
- lavar as mãos antes, durante e depois de preparar ou consumir alimentos;
- cozinhar bem os alimentos de origem animal;
- evitar locais com higiene e conservação precárias.
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Doenças causadas por vírus
As viroses são comuns. Algumas são simples, como os resfriados. Outras são graves e, como a AIDS, ainda não têm cura.
Catapora, causada pelo vírus varicela-zóster
Infecção altamente contagiosa, que atinge principalmente crianças. Causa erupções com coceira, em vesículas, bolhas ou crostas, e o diagnóstico é clínico. Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão ocorre por contato direto, por gotículas e por aerossóis, e o período de incubação é de 14 a 16 dias, podendo variar de 10 a 20.
Casos leves pedem apenas tratamento dos sintomas. Afastar a pessoa doente do convívio reduz a disseminação. A vacina contra a varicela faz parte do calendário de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS).
AIDS, causada pelo vírus HIV
O HIV destrói progressivamente certos glóbulos brancos do sangue. Sem tratamento, pode levar à síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), que abre espaço para infecções oportunistas.
Segundo a OMS, o HIV passa por fluidos corporais como sangue, sêmen, secreções vaginais e leite materno, e não se transmite por contato casual, como beijo ou alimentos compartilhados. Os antirretrovirais interrompem a reprodução do vírus e fortalecem a imunidade, mas não eliminam o HIV. Quem usa o tratamento e mantém a carga viral indetectável não transmite o vírus por via sexual.
Ainda não há vacina contra o HIV. A prevenção combina medidas:
- tratamento de quem vive com HIV;
- uso de preservativo, que reduz de forma importante o risco de transmissão sexual;
- triagem de doadores e do sangue doado;
- pré-natal e acompanhamento do parto, porque o vírus pode passar da mãe para o bebê durante a gestação, o parto e a amamentação. A equipe de saúde orienta a conduta em cada caso.
Superfícies contaminadas podem ser higienizadas com facilidade: o vírus é inativado pelo calor e por desinfetantes.
Dengue, causada pelos vírus DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4
A dengue é transmitida pela picada de mosquitos e provoca febre e dores no corpo. Segundo a OMS, os sintomas costumam surgir de 4 a 10 dias após a infecção.
Uma segunda infecção por outro tipo do vírus aumenta o risco de dengue grave, com dor abdominal, vômitos e sangramentos. Sem atendimento, o quadro pode piorar rápido e ser fatal. Não há antiviral específico: o tratamento é de suporte, com acompanhamento profissional em todos os casos.
Febre amarela, causada pelo vírus amarílico
Transmitida por mosquitos infectados, ocorre principalmente em áreas tropicais. Segundo a OMS, os primeiros sinais são febre, dor de cabeça, dores no corpo, náusea, vômito e fraqueza. Nos casos graves há icterícia (pele e olhos amarelados), sangramentos e falência de órgãos.
Não há antiviral específico, e o tratamento é de suporte. A vacina, oferecida pelo SUS, é a principal forma de prevenção. A indicação e as contraindicações são definidas pelo serviço de saúde.
Doenças transmitidas por vetores
Vetor é o animal, em geral um inseto, que leva o micro-organismo de um hospedeiro a outro. A OMS estima que as doenças transmitidas por vetores respondem por mais de 17% das doenças infecciosas, com mais de 700 mil mortes por ano. Podem ser causadas por vírus, bactérias ou parasitas.
| Vetor | Exemplos de doenças | Tipo de agente |
|---|---|---|
| Mosquitos | dengue, febre amarela, chikungunya, Zika, malária | vírus e protozoário |
| Flebotomíneos e maruins | leishmaniose, febre Oropouche | protozoário e vírus |
| Triatomíneos (barbeiros) | doença de Chagas | protozoário |
A malária é causada por parasitas do gênero Plasmodium e, segundo a OMS, é transmitida por fêmeas infectadas do mosquito Anopheles. A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. O Ministério da Saúde informa que ela também pode ser transmitida por alimentos ou bebidas contaminados.
Na prática: quando a doença tem vetor, a prevenção passa por reduzir o contato com ele e por eliminar os criadouros, além de vacina quando existe. Para dengue, chikungunya e Zika, veja arboviroses: quais circulam e como se controla o vetor. Para a visão de conjunto do controle, veja manejo integrado de vetores.
Doenças causadas por fungos
Muitas micoses são conhecidas, e a maioria é leve. Quando se somam à imunidade baixa, porém, podem causar problemas graves. Veja alguns exemplos.
Pitiríase versicolor (pano branco), causada por fungos do gênero Malassezia
Também chamada de micose de praia, aparece como manchas arredondadas na pele, na maioria das vezes mais claras. O tratamento é com cremes ou loções antifúngicas, sob orientação médica. Roupas leves e arejadas, de preferência de tecidos não sintéticos, ajudam a prevenir.
Candidíase, causada por fungos do gênero Candida
A espécie mais comum é Candida albicans, que vive naturalmente no corpo, mas pode causar infecção, sobretudo com a imunidade prejudicada. Afeta dobras da pele (virilhas, axilas, entre os dedos), unhas e mucosas, como boca, esôfago e vagina. Em casos extremos, pode atingir a corrente sanguínea e órgãos como pulmões, coração e rins.
As formas superficiais costumam ser tratadas com pomadas antifúngicas. Casos graves podem exigir antifúngicos orais ou na veia. A avaliação médica é necessária em todos os casos.
Aspergilose, causada por fungos do gênero Aspergillus
Infecção que afeta principalmente os pulmões. Pode provocar alergias ou atingir outras partes das vias respiratórias, causando sinusites ou otites. O fungo é comum no ambiente, inclusive dentro de casa, em locais úmidos como cantos de parede e banheiros. Entra pela respiração e pode causar tosse, falta de ar e, nos casos mais graves, febre e perda de peso.
O tratamento usa antifúngicos específicos, com acompanhamento médico. A prevenção se baseia em higiene e controle da umidade do ambiente.
Criptococose, causada por fungos do gênero Cryptococcus
Micose sistêmica que, dependendo do caso, pode ser letal. Representa risco principalmente para quem tem a imunidade comprometida. Os sintomas incluem febre, fraqueza, dor de cabeça, rigidez de nuca, náusea, vômito, confusão mental e alterações de visão, além de comprometimento pulmonar e ósseo.
O fungo vive em matéria orgânica morta no solo, em árvores e nas fezes de aves, principalmente pombos. O tratamento depende da forma clínica e é definido pela equipe médica. A prevenção exige higiene dos locais onde há criação de aves ou aglomeração de pombos.
Cenário atual
Apesar de pesquisas, vacinas e medicamentos, as doenças causadas por micro-organismos ainda têm grande incidência no Brasil e no mundo. A informação segue sendo uma das principais ferramentas de prevenção e controle.
Atenção: este conteúdo não substitui consulta. Diante de sintomas, procure o serviço de saúde. Sobre vacinas e prevenção, consulte o Ministério da Saúde.
Para ambientes, veja equipamentos para sanitização e quando usar cada um.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre infecção e doença?
Infecção é a entrada e a multiplicação de um micro-organismo no corpo. Doença é quando essa infecção passa a prejudicar as funções do organismo. Muita gente se infecta e não adoece, ou adoece de forma leve.
Como os micro-organismos chegam ao corpo?
Pelas portas de entrada: vias respiratórias, trato digestivo, trato urogenital e quebras na pele. O caminho até a porta de entrada pode ser o ar, a água e os alimentos, o contato com pessoas, animais ou superfícies, ou a picada de um vetor.
Quais doenças são transmitidas por mosquitos?
A Organização Mundial da Saúde lista dengue, malária, febre amarela, chikungunya e Zika entre as doenças transmitidas por mosquitos. Dengue, chikungunya e Zika vêm do Aedes aegypti. A malária vem do Anopheles.
Quem tem sintomas deve se tratar em casa?
Não. Febre, manchas na pele, rigidez no pescoço, sangramentos ou diarreia que não passa pedem avaliação no serviço de saúde. Este texto é informativo e não substitui consulta. Para dúvidas e vacinas, procure a unidade de saúde ou o Ministério da Saúde.
Fontes
- Vector-borne diseases (fact sheet), OMS, 2024
- The top 10 causes of death (fact sheet), OMS, 2024
- Dengue and severe dengue (fact sheet), OMS, 2025
- Yellow fever (fact sheet), OMS, 2023
- Malaria (fact sheet), OMS, 2025
- HIV and AIDS (fact sheet), OMS, 2025
- Leptospirose, Ministério da Saúde, 2025
- Doença de Chagas, Ministério da Saúde, 2025
- Nota Informativa nº 80/2018-CGPNI/DEVIT/SVS/MS (varicela), Ministério da Saúde, 2018
