Locação de veículo com UBV: modalidades, o que incluir e como montar o termo de referência
Por Equipe técnica Maxmaq · Publicado em · Atualizado em
Quais são as três modalidades de contratar UBV com veículo?
São três arranjos: locar o conjunto, contratar o serviço completo ou comprar a caminhonete. A escolha depende de quem o órgão já tem (motorista, operador, oficina) e de quanto quer carregar de manutenção.
O diagrama parte de uma pergunta: o órgão quer ser dono da caminhonete? Se sim, o caminho é a compra e o acoplamento de um UBV próprio. Se não, a segunda pergunta é se ele já tem motorista, operador e combustível: com eles, basta locar o conjunto; sem eles, entra o serviço completo por mês.
| Modalidade | O fornecedor entrega | O órgão entrega | Medição e pagamento | Exemplo |
|---|---|---|---|---|
| a) Locação do conjunto | Caminhonete com UBV acoplado, manutenção, reposição e aferição | Motorista, operador, inseticida, combustível, EPI | Período de locação, definido no TR | Itaboraí/RJ, 2018 |
| b) Serviço completo | Veículo, UBV, equipe, combustível e manutenção | Inseticida e fiscalização | Mensal, com critérios de medição no TR | Descrição genérica, sem fonte pública |
| c) Compra da caminhonete | Veículo em condição de receber o UBV | UBV próprio, equipe, manutenção do veículo | Fornecimento único | Pregão 148/2025, SES-GO |
A modalidade (a) está documentada no termo de referência de Itaboraí (2018): quatro conjuntos por 12 meses, com condução, operação, inseticida e combustível a cargo da prefeitura. A (c) aparece no Pregão Eletrônico 148/2025 da SES-GO, cujo objeto são caminhonetes de cabine simples preparadas para receber UBV. Para a (b), não há fonte pública que sustente números, então ela aparece aqui só como arranjo.
Na prática: o nome “locação com motorista” engana. Leia no TR quem conduz e quem opera. No edital de Itaboraí, os dois ficaram com o órgão.
O que o termo de referência deve trazer?
Deve trazer os dez elementos do art. 6º, XXIII, da Lei 14.133/2021, descritos no manual de TR do TCU. Na locação, três pesam mais:
- Modelo de execução (alínea e): como o contrato produz resultado do início ao fim. Aqui entram prazo de entrega do conjunto, rotina de manutenção e substituição.
- Modelo de gestão (alínea f): como o órgão acompanha e fiscaliza. Defina quem confere horas, trajeto e relatórios.
- Critérios de medição e pagamento (alínea g): o que se mede, com que prova e o que acontece quando o serviço falha.
Os outros sete são objeto, fundamentação, solução como um todo, requisitos, seleção do fornecedor, estimativa de valor e adequação orçamentária. A estimativa fica em documento separado, e este artigo não traz valores.
Lista de conferência para o TR de locação
Orientação geral, montada a partir do edital de Itaboraí e do manual do TCU. Cada órgão ajusta à sua realidade.
- Itens incluídos: o que vem no conjunto (UBV, comando remoto, kits de emergência, manuais, garantia).
- Manutenção: quem faz a preventiva, a preditiva e a corretiva, com os intervalos em horas de motor. Itaboraí listou rotinas diárias e por faixas de 50, 100, 600 e 2.000 horas.
- Substituição por pane: prazo para trocar o conjunto e reserva de equipamentos. Itaboraí previu novo conjunto em até 48 horas e 10% de equipamentos de reserva.
- Prazos por tipo de parada: o edital fixou 72 horas para motor e soprador, 24 horas para bomba dosadora e circuito elétrico, e atendimento imediato nas vias de combustível e inseticida.
- Aferição: quem afere, com que periodicidade e com que relatório. Itaboraí pôs a aferição, com análise do espectro de gotas, por conta do fornecedor.
- Registro de trajeto, quando contratado: precisão, relatório e acesso do fiscal. Itaboraí pediu localização com precisão de 3 m, perímetro tratado e consumo de inseticida.
- Encargos do veículo: IPVA, seguro, emplacamento e adesivagem ficaram com o fornecedor.
- Treinamento: quem treina os operadores e certifica.
Atenção: prazo de reposição sem consequência escrita vira letra morta. Diga no TR o que acontece, na medição e no pagamento, se o prazo passar.
Que requisitos aparecem nos editais?
Os requisitos descrevem o veículo, o equipamento e a qualificação do fornecedor. Itaboraí pediu caminhonete de carroceria aberta, 4x2, carga mínima de 1.100 kg, com até 50.000 km rodados ou dois anos de fabricação, e quilometragem livre. Pediu também apresentação dos veículos antes da adjudicação e, na qualificação, licença ambiental, atestado de capacidade técnica, assistência autorizada pelo fabricante e técnicos habilitados para aferição.
Esses itens são do edital de 2018, sob a Lei 8.666. Servem de exemplo de detalhe, não de modelo a copiar. Revise cada exigência pela justificativa técnica do seu estudo preliminar.
Quem fornece o inseticida?
Na prática, o órgão. O Ministério da Saúde distribui os inseticidas de aplicação espacial, e os estados os solicitam pelo Sistema de Insumos Estratégicos, como mostra a Nota Técnica 15/2023-CGARB. Em Itaboraí, inseticida, diluentes, EPI, combustível e pedágios também ficaram com a contratante.
Escreva no TR que o produto está fora do objeto locado. Assim, o fornecedor não responde por falta de insumo, e o órgão não paga duas vezes pelo mesmo item.
Como medir e pagar: por hora, quilômetro ou mês?
Escolha a medição que prove o resultado que o órgão quer. O TCU orienta que a medição ajuste o pagamento à conformidade do serviço e aos resultados obtidos, com um instrumento de medição de resultado e redução do valor quando o nível mínimo não é atingido. Pagamento por hora ou por unidade é tratado como exceção, que pede indicadores de desempenho claros.
No catálogo federal, a locação de veículos (leves, pesados, com motorista) é o CATSER 25089, e a locação com manutenção de equipamentos permanentes é o CATSER 4405 (consulta de 07/10/2026). Os detalhes de código estão em CATMAT e CATSER de UBV.
Comparação prática:
| Forma de medir | Quando serve | Cuidado |
|---|---|---|
| Mensal fixo | Conjunto disponível todo mês | Exige indicador de disponibilidade e glosa por parada |
| Por hora | Uso variável, com horímetro | Pede conferência do horímetro |
| Por quilômetro | Trajeto é o foco | Quilômetro em deslocamento não é aplicação |
Qual rendimento esperar para dimensionar a locação?
A Portaria 616/2024 da SES-MT fixa, para UBV acoplado, 80 a 120 quarteirões por máquina por dia, em dois turnos. Na mesma portaria, motorista e operador (um por veículo) aparecem na estrutura mínima do município.
Exemplo: suponha 600 quarteirões a cobrir em um ciclo. Com uma máquina, são de 5 a 7,5 dias (600 ÷ 120 e 600 ÷ 80). Com duas, de 2,5 a 3,75 dias. Os números são hipotéticos, só para mostrar a conta.
Use a faixa como ponto de partida e ajuste ao relevo, à malha viária e ao protocolo de bloqueio de transmissão do seu município.
Em resumo
- Defina primeiro quem entrega o quê (veículo, motorista, operador, inseticida, combustível), e só depois a modalidade.
- O TR cobre os dez elementos do art. 6º, XXIII; na locação, execução, gestão e medição pesam mais.
- Escreva prazos de substituição e de conserto por tipo de parada, com consequência na medição.
- Inseticida em geral vem do órgão; deixe-o fora do objeto locado.
- Dimensione pelo rendimento de 80 a 120 quarteirões por máquina por dia, ajustado ao município, e veja o enquadramento da compra em comprar UBV pela Lei 14.133.
Para conhecer como a Maxmaq organiza a oferta, veja a página de locação de equipamentos UBV.
Perguntas frequentes
A locação de UBV com veículo inclui o motorista?
Depende do edital. No termo de referência de Itaboraí (RJ, 2018), a condução do veículo e a operação do UBV ficaram com a prefeitura. Outros contratos podem incluir a equipe no preço. O termo de referência precisa dizer quem fornece o motorista, qual a jornada e quem responde por multas e acidentes.
Quem fornece o inseticida na locação?
Em geral o órgão contratante. O Ministério da Saúde distribui os inseticidas de aplicação espacial aos estados, que os solicitam pelo Sistema de Insumos Estratégicos, conforme a Nota Técnica 15/2023. O contrato deve registrar que o produto, os diluentes e os EPIs não fazem parte do objeto locado.
Como medir e pagar a locação: por hora, quilômetro ou mês?
O TCU orienta que a medição ligue o pagamento ao resultado obtido e trata o pagamento por hora ou por unidade como exceção, que pede indicadores de desempenho. O catálogo federal tem o CATSER 25089 para locação de veículos (leves, pesados, com motorista). A escolha vai para o item de critérios de medição e pagamento do termo de referência.
O edital precisa exigir GPS no veículo?
Não é obrigação da lei. O termo de referência de Itaboraí exigiu monitoramento com precisão de 3 m e mapa do perímetro tratado. Se o órgão quer comprovar por onde a névoa passou, o registro de trajeto deve entrar como requisito e como item de fiscalização.
Fontes
- Termo de referência de locação de UBV (Lei 8.666), Processo 447/2018, Prefeitura de Itaboraí/RJ, 2018
- Pregão Eletrônico 148/2025 (caminhonetes para UBV), SES-GO, 2025
- Lei 14.133/2021, art. 6º, XXIII, Planalto, 2021
- Termo de referência (TR), TCU, Licitações e Contratos, 2025
- Critérios de medição e de pagamento, TCU, Licitações e Contratos, 2025
- Dados abertos do Compras.gov.br (catálogo de materiais e serviços), Governo federal, 2026
- Portaria 616/2024 (UBV pesado), SES-MT, 2024
- Nota Técnica 15/2023-CGARB, Ministério da Saúde (cópia da SES-GO), 2023
