Armadilhas para Aedes aegypti: monitoramento, captura e autodisseminação

Por Equipe técnica Maxmaq · Publicado em · Atualizado em

Mapa de monitoramento com as armadilhas georreferenciadas e as áreas de maior atividade

Monitorar ou suprimir: a pergunta antes da escolha

Armadilha de monitoramento mostra onde o mosquito está e mede se as ações funcionaram. Armadilha de controle (ou supressão) tenta reduzir a população. A escolha começa pelo objetivo. Nenhuma delas substitui a eliminação de criadouros, que segue como a base do controle do Aedes, e todas funcionam melhor dentro do manejo integrado do Aedes aegypti.

Os tipos, lado a lado

ArmadilhaO que fazPara que serveObservação
OvitrampaA fêmea põe ovos numa palheta, lida no 5º diaMonitorar pelos ovos (IPO, IDO, IDV)Método do Ministério da Saúde, na Nota Técnica 3/2025
Captura de adultosCaptura a fêmea em superfície adesiva ou por sucçãoMonitorar adultos; identificar a espécie e pesquisar vírus em laboratórioColeta periódica; em ensaios de captura em massa, efeito modesto
Com atraente ou CO2Atrai a fêmea que procura sangue, com isca química ou gás carbônicoVigilância e pesquisaAlguns modelos precisam de energia
Letal de oviposiçãoA fêmea pousa para pôr ovos e morre ao encostar no inseticida da parede internaControle, junto com a eliminação de criadourosDuração e densidade vêm do fabricante
Estação disseminadora de larvicidaA fêmea se contamina com larvicida e o leva a outros criadourosControle de criadouros difíceis de acharEditais chamam também de armadilha de autodisseminação

O que a evidência mostra

Ovitrampa. É a armadilha com maior respaldo oficial no Brasil para monitorar. A Nota Técnica 3/2025 descreve material, instalação e índices; veja o passo a passo em Ovitrampas: como instalar e ler os índices.

Captura de adultos em massa. Dois ensaios randomizados em Manaus testaram o método com resultado modesto. A armadilha de captura em massa reduziu fêmeas de Aedes aegypti nos cinco primeiros meses chuvosos, sem efeito significativo sobre a dengue. A armadilha adesiva não reduziu a abundância do mosquito, e os autores recomendam esse tipo apenas para monitoramento. Um dado que ajuda a ler o resultado: 86,4% dos moradores disseram perceber menos mosquito, mas o índice entomológico não caiu. Percepção do morador não substitui medida.

Estação disseminadora de larvicida. Tem evidência melhor que a captura em massa, com o dado mais forte em Belo Horizonte, onde uma avaliação de antes e depois encontrou queda de 29% na incidência de dengue nos bairros tratados. O estudo não foi randomizado e depende da manutenção mensal. Detalhes em estações disseminadoras de larvicida.

Letal de oviposição. Os dados de desempenho citados nesta página vêm do fabricante. A Biotraps, por exemplo, descreve pote de papelão com permetrina e sachê atrativo, com duração de 3 a 6 semanas no site brasileiro, e este artigo não analisou estudo independente do produto.

Atenção: nenhuma armadilha tem resultado garantido isolada. O ganho vem de combinar monitoramento, eliminação de criadouros e controle, escolhidos pelos índices do local.

Para escolher a armadilha certa para cada objetivo, veja as armadilhas para o Aedes.

Um número de Santa Catarina, com a ressalva

No painel de arboviroses da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, 45.815 dos 57.330 focos registrados em 2026 vieram de atividades com armadilhas, segundo dados parciais atualizados em 7 de outubro de 2026 e consultados em 8 de outubro. O número mostra como Santa Catarina faz a vigilância, com muita armadilha de monitoramento, e não compara a eficácia das armadilhas com outros métodos.

Plataforma e mapa: o que pedir

Armadilha sem dado é só objeto no quintal. Para o monitoramento servir à decisão, peça:

  • georreferenciamento de cada armadilha e de cada leitura;
  • índices por área e por semana, e não só o total;
  • mapa das áreas prioritárias, para decidir onde agir primeiro;
  • relatório de efeito, com índices antes e depois das ações;
  • acesso do contratante aos dados, para auditar o que foi feito.

A plataforma de monitoramento da Maxmaq reúne esses itens.

Armadilha caseira funciona?

A armadilha caseira, feita com garrafa ou pote, pode servir para o morador perceber a presença do mosquito, mas é monitoramento improvisado, e não controle. Sem método de leitura e sem comparação entre áreas, ela não gera índice que sirva ao gestor. Quem quer controlar o Aedes elimina criadouros, e quem quer monitorar usa ovitrampa com leitura padronizada.

Em resumo

  • Armadilha de monitoramento mostra onde o Aedes está; armadilha de controle tenta reduzi-lo.
  • A ovitrampa é o método oficial de monitoramento pelos ovos.
  • A captura de adultos em massa tem efeito modesto nos ensaios de Manaus; a estação disseminadora tem evidência melhor, com ressalvas.
  • A escolha vem do objetivo e dos índices, e o dado (mapa, índice por área e relatório) vale tanto quanto a armadilha.

Para escolher o tipo certo para cada objetivo, veja armadilhas para o Aedes aegypti.

Perguntas frequentes

Qual armadilha serve para monitorar o Aedes?

A ovitrampa, no padrão da Nota Técnica nº 3/2025, é o método do Ministério da Saúde para monitorar pelos ovos. As armadilhas de captura de adultos medem as fêmeas e complementam a ovitrampa.

Armadilha de mosquito adulto controla a população?

Os ensaios randomizados de Manaus mostraram efeito modesto: a captura em massa reduziu fêmeas nos cinco primeiros meses chuvosos, sem efeito significativo sobre a dengue, e a armadilha adesiva não reduziu a abundância do mosquito.

O que é armadilha de autodisseminação?

É o nome que muitos editais dão à estação disseminadora de larvicida, em que a fêmea se contamina com o larvicida e o leva a outros criadouros.

Armadilha caseira funciona?

Armadilha caseira, como a de garrafa, pode servir para monitorar se for lida com método, mas não é controle. Ela não substitui a eliminação de criadouros nem os índices de uma rede de ovitrampas.

Fontes