Manejo integrado do Aedes aegypti (MIA): o que é, o que entra e como contratar

Por Equipe técnica Maxmaq · Publicado em · Atualizado em

Painel de monitoramento com mapa de focos e índices

O que é manejo integrado do Aedes aegypti?

Manejo integrado do Aedes aegypti (MIA) é o manejo integrado de vetores aplicado a um mosquito só. O nome vem do inglês Integrated Aedes Management, apresentado por Roiz e colegas na PLoS Neglected Tropical Diseases, em 2018, como um arcabouço baseado em evidências para controlar as doenças transmitidas por Aedes. Segundo o artigo, ele se organiza em quatro pilares: vigilância integrada de vetores e doenças, controle vetorial, mobilização comunitária e colaboração dentro e entre setores. Esses pilares correspondem, em linhas gerais, aos da Resposta Global de Controle de Vetores da OMS.

No Brasil, o Ministério da Saúde orienta os sistemas locais de saúde pelo manejo integrado de vetores, num ciclo de análise da situação, planejamento, execução, monitoramento e avaliação. O MIA é essa orientação com o Aedes no centro. A comparação com o MIP e o MIV está em MIV, MIP e MIA.

Os componentes

Ciclo do manejo integrado de vetores: monitorar com armadilhas, coleta e leitura; analisar com índices e mapas; agir em criadouros, com armadilhas de controle, larvicida e bloqueio com UBV; avaliar com relatório de efeito, que volta ao monitoramento.

O diagrama mostra o ciclo: a vigilância alimenta a decisão pelos índices, que aciona as ações, e a avaliação do efeito volta à vigilância. Dentro das ações, cabem:

  • Vigilância entomológica. Ovitrampas, armadilhas de adultos (que permitem identificar a espécie e, em laboratório, pesquisar vírus nos mosquitos capturados) e levantamentos de larvas dão os índices. O método das ovitrampas está na Nota Técnica 3/2025 e no artigo sobre ovitrampas.
  • Eliminação de criadouros e manejo ambiental. Retirar, vedar ou tampar recipientes com água é a medida de base e a que mais depende do morador.
  • Controle biológico. Quando o projeto prevê, entra como alternativa ao químico.
  • Armadilhas letais e estações disseminadoras. Atacam as fêmeas e os criadouros difíceis de achar. Veja as estações disseminadoras de larvicida.
  • Controle químico. Larvicida onde não é possível remover o criadouro e UBV com adulticida no bloqueio de transmissão, quando há casos.
  • Comunicação e participação da comunidade. Sem ela, as outras medidas perdem alcance.
  • Novas tecnologias. O Ministério da Saúde admite tecnologias novas depois de um período de monitoramento, e essa avaliação é do próprio ministério, não de marca.

Atenção: nenhuma dessas medidas, sozinha, tem resultado garantido. O ganho está na combinação, escolhida pelos índices do local.

Quem faz o quê

  • Município: coordena a vigilância e o controle de endemias no território, e pode contratar apoio de empresas licenciadas.
  • Campus, empresa e prédio público: operam um programa no imóvel, com a mesma lógica, sob a RDC 622/2022 quando contratam empresa de controle.
  • Condomínio: contrata empresa licenciada para um programa contínuo e cuida da parte que só o morador resolve: água parada nas áreas comuns e nas unidades.

Para ter o manejo integrado completo, do projeto ao relatório, veja manejo integrado de vetores e pragas.

Como saber se está funcionando

A resposta está na comparação. Os índices de ovos (nas ovitrampas) e de adultos (nas armadilhas) antes e depois das ações, por área e período, mostram se a população caiu. Os casos de arboviroses ajudam a ler o conjunto, mas dependem de muitos fatores fora do controle do vetor, como a circulação do vírus e a imunidade da população. Por isso o relatório deve mostrar os índices por área e semana e as ações executadas em cada uma, e não só o total de casos.

Se os índices não caem, o projeto é revisto: mais armadilhas, outra distribuição, mais atenção a criadouros específicos ou outro produto.

Como contratar

No setor público, o objeto costuma ser descrito como monitoramento entomológico, armadilhas, plataforma digital e controle, por pregão, ata de registro de preços ou consórcio. Veja as modalidades em compras públicas. No setor privado, o contrato é contínuo, com visitas no mínimo mensais e comprovante de execução a cada serviço.

A Maxmaq entrega o serviço completo, do projeto à operação, com armadilhas, plataforma de monitoramento, relatórios e o bloqueio com a frota UBV. Veja manejo integrado de vetores e pragas e o monitoramento do Aedes.

Em resumo

  • MIA é o MIV aplicado ao Aedes, e o nome vem do inglês Integrated Aedes Management.
  • Combina vigilância, criadouros, armadilhas, larvicida e UBV no bloqueio, escolhidos pelos índices.
  • A avaliação compara índices antes e depois, por área e semana.
  • Armadilha sozinha não resolve, e o fumacê não substitui as outras medidas.

Perguntas frequentes

MIA é diferente de MIV?

É o MIV com foco num mosquito só. O artigo de Roiz e colegas (2018) apresenta o Integrated Aedes Management como arcabouço para doenças transmitidas pelo Aedes, com quatro pilares que correspondem aos da Resposta Global de Controle de Vetores da OMS.

Armadilha resolve sozinha?

Não. A armadilha monitora ou controla parte da população, e funciona dentro de um conjunto com eliminação de criadouros, larvicida, comunicação e, quando há casos, bloqueio com UBV. A escolha é feita pelos índices.

Condomínio pode fazer manejo integrado do Aedes?

Pode, como programa de empresa licenciada no imóvel, com inspeção, eliminação de criadouros, monitoramento por armadilhas e relatório. A RDC 622/2022 pede ações no mínimo mensais e comprovante a cada serviço.

Como saber se o manejo está funcionando?

Comparando os índices de ovos e de adultos antes e depois das ações, por área e período, e a evolução dos casos. Se os índices não caem, o projeto é revisto.

Fontes