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Contrato de manutenção de UBV: preventiva fixa, corretiva sob demanda, peças e fiscalização

Por Equipe técnica Maxmaq · Publicado em · Atualizado em

Quais são as três partes do contrato?

O contrato fica claro quando separa preventiva, corretiva e peças, cada uma com regra de pagamento própria.

Fluxo do contrato de manutenção de UBV: preventiva, corretiva e peças entram na medição mensal, o fiscal confere com o IMR, atesta e o pagamento sai com glosa se o serviço ficar abaixo do nível mínimo

O diagrama mostra a ordem: preventiva mensal de preço fixo, chamados de corretiva e peças usadas alimentam a medição do mês, o fiscal confere com o IMR, atesta e o pagamento sai, com glosa se o serviço ficou abaixo do nível mínimo.

Preventiva com preço fixo

A preventiva é a rotina programada, e por isso cabe em preço mensal fixo. O termo de referência lista as tarefas e o gatilho de cada uma (calendário ou horas de motor), por equipamento.

Monte essa lista com o plano do fabricante e as práticas de manutenção preventiva de UBV. Cada tarefa deve gerar registro na ordem de serviço.

Corretiva por chamado

A corretiva é o reparo que não estava na rotina. O termo de referência define como o chamado é aberto, em quanto tempo o técnico atende e em quanto tempo a máquina volta, por tipo de parada.

Registre hora de abertura, de chegada e de devolução do equipamento: são esses horários que medem o prazo.

Peças por estimativa

As peças podem ficar fora do preço fixo e ser pagas conforme o uso, até uma estimativa anual. Estimativa não é garantia de consumo: o órgão paga o que foi trocado, comprovado na ordem de serviço.

A preventiva é previsível; as peças variam com o desgaste. Reserve dotação para o teto estimado e diga como as peças são comprovadas (nota fiscal, código, quantidade). Pagar antes da troca não cabe: a Lei 14.133 veda o pagamento antecipado, com exceções restritas (art. 145).

O que a Lei 14.133 exige no termo de referência?

O termo de referência tem de trazer “critérios de medição e de pagamento”, como pede o art. 6º, XXIII, g, da Lei 14.133/2021. O contrato, por sua vez, fixa a periodicidade da medição e o prazo de liquidação e pagamento (art. 92, VI).

O texto precisa responder:

  • O que se mede: horas, ordens de serviço, peças trocadas?
  • Com que frequência e com que documento?
  • Quando o pagamento sai e o que o reduz?

A orientação do TCU sobre medição e pagamento cita ainda a IN Seges/ME 77/2022, que fixa, no âmbito federal, no máximo 10 dias úteis para liquidação, contados do recebimento da nota fiscal, e 10 dias para pagamento. Estados e municípios podem ter regra própria; confira a do seu ente.

Como funcionam medição, IMR e glosa?

O IMR é o instrumento que diz o nível esperado do serviço e quanto o pagamento ajusta se o nível não for atingido. A IN Seges/MP 5/2017 o define como mecanismo de níveis de qualidade e ajustes de pagamento, em bases objetivas e comprováveis, segundo o TCU.

A base legal para atrelar o pagamento ao desempenho é o art. 144: a remuneração variável pode seguir metas, padrões de qualidade, critérios de sustentabilidade ambiental e prazos definidos no edital e no contrato. O TCU trata a redução como adequação do pagamento ao serviço prestado, não como penalidade.

Indicadores que fazem sentido para UBV, todos mensuráveis por ordem de serviço:

IndicadorComo medirDocumento
Preventivas feitas no mêsRealizadas ÷ programadasRelatório e ordens de serviço
Prazo de atendimento da corretivaHorário de devolução menos horário de aberturaRegistro do chamado
ReincidênciaMesma falha no mesmo equipamento em período definidoHistórico do equipamento
DisponibilidadeDias com o equipamento apto ÷ dias previstosRegistro do fiscal

Atenção: o IMR formal da IN 5/2017 nasceu para serviços com dedicação exclusiva de mão de obra. Num contrato de manutenção de UBV, use a ideia (indicador, nível mínimo, ajuste) e escreva as regras no termo de referência; sem regra escrita, não há glosa.

Exemplo (modelo, adapte ao seu órgão): “Atendimento da corretiva. Nível mínimo: máquina devolvida em até [prazo do órgão] contados da abertura do chamado. Medição: registro de abertura e de devolução na ordem de serviço. Abaixo do nível mínimo, o pagamento da parcela do mês é ajustado em [percentual do órgão], após o contratado ter [prazo] para apresentar justificativa.”

Quem fiscaliza precisa de registro. O art. 117, § 1º manda o fiscal anotar todas as ocorrências da execução, e o Decreto 11.246/2022, federal, detalha o papel do fiscal técnico no art. 22. O TCU alerta, no Acórdão 3.972/2023 da Segunda Câmara, que atestar com base só na medição feita pela própria contratada, sem verificação efetiva dos quantitativos, é erro grosseiro (o caso tratado ali era de serviços de engenharia, mas a lógica vale para qualquer ateste).

Quais prazos de atendimento um edital já usou?

Um termo de referência de 2018 da Prefeitura de Itaboraí/RJ serve de referência de estrutura. Era de locação de veículo com UBV, ainda sob a Lei 8.666, e punha a manutenção a cargo da contratada. Os números abaixo são dele, não uma recomendação.

ItemO que o documento previa
Diária e a cada 50 horasÓleo do motor, limpeza das vias de inseticida e de filtros
A cada 100, 600 e 2.000 horasTrocas de filtros e velas, descarbonização do motor, troca do conjunto de carvão da bomba (listadas como manutenção preditiva)
Corretiva: motor e soprador72 horas
Corretiva: bomba FMI e circuitos elétricos24 horas
Corretiva: vias de combustível e inseticidaImediato
Base de uso8 horas por dia, 22 dias por mês

Fonte: Anexo II do termo de referência, Prefeitura de Itaboraí/RJ, 2018. O que vale para o seu edital é o manual do equipamento que o órgão tem e o uso real da frota.

Duas lições servem a qualquer edital: a preventiva foi escrita por gatilho (horas) e a corretiva por tipo de falha, cada uma com seu prazo.

E os ensaios e a aferição de gotas?

Os ensaios e testes exigidos por normas técnicas oficiais correm por conta do contratado, salvo disposição em contrário no edital (art. 140, § 4º). O termo de referência deve dizer se a aferição de gotas faz parte do contrato ou é serviço à parte.

Se fizer parte, descreva quando é feita, com que método e como o resultado é registrado; o fiscal confere o registro. Veja tamanho de gota em UBV e o serviço de aferição de gotas.

Que código de catálogo e que modalidade usar?

Para a manutenção, o código principal é o CATSER 18660 (manutenção de equipamento, dedetização e pulverização), e para aferição e calibração, o CATSER 14427, conforme o catálogo de dados abertos do Compras.gov.br, consultado em 06/10/2026. A lista completa está em CATMAT e CATSER de UBV.

Serviço comum se contrata, em regra, por pregão, preferencialmente na forma eletrônica, segundo o TCU. A Lei 14.133 define como comuns os serviços cujos padrões de desempenho e qualidade o edital consegue definir por especificações usuais de mercado (art. 6º, XIII, e art. 29). Para o quadro geral, veja como comprar UBV pela Lei 14.133.

Checklist do termo de referência

  • Objeto dividido em preventiva, corretiva e peças, com regra de pagamento de cada uma.
  • Lista de equipamentos e plano de preventiva por gatilho.
  • Prazos de atendimento e de devolução por tipo de falha, com o horário que os mede.
  • Peças: forma de especificar, de comprovar e teto da estimativa anual.
  • Medição mensal: documentos, responsável e data (art. 92, VI).
  • Indicadores, níveis mínimos, ajuste de pagamento e prazo de defesa (art. 144).
  • Fiscal designado, registro de ocorrências e modelo de relatório (art. 117, § 1º).
  • Aferição de gotas: dentro ou fora do contrato, e quem arca com os ensaios (art. 140, § 4º).
  • CATSER informado e modalidade justificada.

Em resumo

  • Separe preventiva (preço fixo), corretiva (por chamado) e peças (pelo uso, até a estimativa anual).
  • O termo de referência precisa de critérios de medição e de pagamento (art. 6º, XXIII, g).
  • Glosa só vale com indicador, nível mínimo e ajuste escritos antes.
  • O fiscal atesta com registro próprio, não só com a medição do contratado.
  • O CATSER 18660 cobre a manutenção; a aferição entra no 14427.

Para ver como a Maxmaq organiza esse tipo de serviço, veja a página de manutenção de equipamentos e as orientações para compras públicas.

Perguntas frequentes

A peça entra no preço fixo ou sai sob demanda?

Pode ficar fora do preço fixo, como estimativa anual paga pelo uso. A preventiva fica previsível e as peças variam com o desgaste, então o órgão reserva dotação para o teto estimado. A lei não impõe modelo único.

Dá para glosar máquina parada?

Sim, desde que o termo de referência e o contrato definam o indicador, o nível mínimo e o percentual de ajuste do pagamento. O art. 144 da Lei 14.133 permite vincular a remuneração a metas, padrões de qualidade e prazos.

Quem atesta a aferição de gotas?

O fiscal do contrato registra a ocorrência e confere o resultado; o ateste é dele, não do contratado. Os ensaios e testes exigidos por normas técnicas oficiais correm por conta do contratado, salvo regra em contrário no edital (art. 140, § 4º).

Qual CATSER usar para manutenção de UBV?

O código 18660 (manutenção de equipamento, dedetização e pulverização) é o principal. Para aferição e calibração, o código 14427. Confirme os dois no catálogo do Compras.gov.br antes de publicar o edital, porque o catálogo é atualizado.

Fontes

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